Caiu em casa e não consegue apoiar o peso na perna?
Quando um idoso cai, sente dor forte na virilha ou no quadril e não consegue ficar de pé, a suspeita é de fratura da parte superior do fêmur, a chamada fratura de quadril. Não é um quadro para observar em casa nem para esperar até segunda-feira: é uma urgência ortopédica, e o tempo até o atendimento influencia diretamente o resultado. Entender o que vem depois ajuda a família a tomar decisões melhores num momento de susto.
O que é a fratura de quadril
É a quebra do fêmur perto da articulação que liga a perna à bacia. Em pessoas jovens, ela exige trauma de alta energia, como um acidente de carro. No idoso, a história é outra: uma queda da própria altura, um tropeço no tapete da sala, uma escorregada no banheiro. Isso acontece porque o osso perde resistência com o tempo, principalmente quando existe osteoporose. As duas localizações mais comuns são o colo do fêmur e a região trocantérica, e essa diferença determina o tipo de cirurgia.
Por que o idoso tem mais risco
- Osteoporose, que fragiliza o osso por dentro sem dar sintoma;
- Perda de força nas pernas e piora do equilíbrio, que tornam a queda mais provável;
- Visão comprometida e reflexos mais lentos;
- Medicamentos que causam tontura ou sonolência;
- Casa com armadilhas: tapete solto, fio no chão, banheiro sem barra, corredor escuro.
Boa parte dessas fraturas seria evitável com as medidas descritas no nosso guia de prevenção de quedas em idosos.
Como reconhecer: os sinais que exigem pronto-socorro
- Dor forte na virilha, na nádega ou na coxa após a queda;
- Incapacidade de ficar de pé ou de apoiar o peso na perna;
- Perna que parece mais curta e virada para fora;
- Dor ao menor movimento do quadril, mesmo deitado;
- Dor persistente após queda mesmo conseguindo mancar, situação que engana e atrasa o diagnóstico.
Diante desses sinais, o caminho é o pronto-socorro, e não a espera de uma consulta ambulatorial.
Como o diagnóstico é confirmado
O exame clínico já levanta a suspeita, e o raio-X confirma a maioria das fraturas. Quando a imagem deixa dúvida, o que acontece em fraturas incompletas ou pouco desviadas, a tomografia ou a ressonância mostram traços sutis que o raio-X não revela. Na CBT, o raio-X digital é feito no mesmo endereço da consulta, o que ajuda nas situações em que a dor no quadril persiste depois de uma queda sem fratura evidente.
Como é o tratamento
Na grande maioria dos casos o tratamento é cirúrgico, e a literatura mostra que operar nas primeiras 24 a 48 horas, quando as condições clínicas permitem, costuma reduzir complicações. O motivo é direto: manter um idoso imobilizado na cama favorece pneumonia, trombose, infecção urinária, lesões por pressão e perda acelerada de massa muscular. A cirurgia existe para tirar a pessoa da cama o quanto antes.
O tipo de procedimento depende de onde e como o osso quebrou:
- Fixação com placas, parafusos ou haste intramedular, quando é possível e vantajoso preservar o osso;
- Prótese parcial ou total, mais usada em fraturas do colo do fêmur com risco de o osso não consolidar. Nosso texto sobre prótese de quadril detalha essa recuperação.
A escolha considera o traço da fratura, a idade, as doenças associadas e o nível de atividade antes da queda. Todo o planejamento e a realização de procedimentos cirúrgicos passam por avaliação individual com o ortopedista.
Quanto tempo dura a recuperação
Os marcos costumam seguir esta ordem, sempre com variação de pessoa para pessoa. Os primeiros movimentos e a saída do leito começam em geral 1 a 2 dias após a cirurgia, ainda no hospital. O andador acompanha as primeiras 4 a 6 semanas, com transição gradual para bengala. A marcha mais segura e independente costuma se estabelecer entre 3 e 6 meses. A recuperação funcional completa, quando ocorre, pode levar até 1 ano, e depende muito do estado de saúde antes da queda e da regularidade da reabilitação. Idade avançada, demência e outras doenças crônicas tornam o processo mais lento, o que não impede ganhos importantes.
A reabilitação é a parte decisiva
A cirurgia resolve o osso; quem devolve a caminhada é a fisioterapia. O trabalho combina controle de dor e edema, mobilidade, treino de transferências (cama, cadeira, banheiro), reeducação da marcha com apoio e, sobretudo, fortalecimento progressivo de quadril e coxa. A continuidade após a alta hospitalar é o que mais diferencia os resultados. O material sobre reabilitação pós-cirurgia ortopédica explica como as fases se encaixam.
Como evitar uma segunda fratura
Quem fraturou o quadril tem risco maior de nova fratura, então a prevenção passa a fazer parte do tratamento:
- Investigar e tratar a osteoporose com orientação médica;
- Corrigir vitamina D e proteína na alimentação;
- Manter treino de força e equilíbrio depois da alta da fisioterapia;
- Revisar visão e medicamentos que causam tontura;
- Adaptar a casa: barras no banheiro, tapetes fixos, iluminação noturna.
O acompanhamento com um especialista em quadril organiza esse plano e monitora a evolução.
Perguntas frequentes sobre fratura de quadril
Dá para tratar fratura de quadril sem cirurgia?
Só em situações específicas, como fraturas estáveis sem desvio ou pacientes que não toleram a anestesia. Na maioria dos casos o tratamento conservador exige longo tempo de cama, com mais complicações do que a própria cirurgia.
O idoso volta a andar depois de fraturar o quadril?
Muitos voltam, e a reabilitação precoce é o principal fator a favor. O nível de independência alcançado costuma refletir o que a pessoa conseguia fazer antes da queda.
Quanto tempo o idoso fica internado?
Varia conforme o tipo de fratura, a cirurgia realizada e as condições clínicas, indo de poucos dias a mais de uma semana. A saída do leito começa antes da alta, ainda no hospital.
Prótese ou placa e parafusos: qual é melhor?
Não existe resposta única. Fraturas do colo do fêmur com risco de não consolidar tendem à prótese; fraturas trocantéricas geralmente são fixadas. A decisão é individual e cabe ao cirurgião que avalia o caso.
Se alguém da sua família caiu e está com dor no quadril, procure atendimento de urgência sem esperar. E, passada a fase aguda, vale organizar o acompanhamento para reduzir o risco de uma nova fratura. Na CBT Ortopedia, no Campo Belo, a avaliação ortopédica, o raio-X digital e a reabilitação acontecem no mesmo endereço. Agende sua avaliação pelo WhatsApp (11) 98493-0179.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. Diante de qualquer sintoma persistente, procure avaliação profissional.