Dor na canela sempre que você corre?
Você sai para correr e, depois de alguns minutos, aparece aquela dor incômoda ao longo da canela. Ela alivia um pouco quando o corpo aquece, volta no fim do treino e, no dia seguinte, a região está sensível ao toque. Se isso começou depois de você aumentar a quilometragem, mudar de piso ou voltar a treinar após um período parado, o quadro mais provável é a canelite, uma das queixas mais frequentes de quem corre.
O que é a canelite
Canelite é o nome popular da síndrome do estresse tibial medial. É uma dor que surge ao longo da borda interna da tíbia, o osso da canela, em geral no terço inferior da perna. Acontece quando a região é exigida além do que suporta naquele momento, um quadro de sobrecarga que envolve o osso, o periósteo e a musculatura que se insere ali. Não é uma lesão grave nem deixa sequela, mas atrapalha bastante quem corre ou caminha com frequência, e tem forte tendência a voltar quando a causa não é corrigida.
Por que a canela dói
- Aumento rápido de carga: o gatilho mais comum. Dobrar a distância em pouco tempo não dá ao osso o prazo de adaptação que ele precisa;
- Piso duro e sempre igual: asfalto e concreto aumentam o impacto de cada passada;
- Tênis gasto ou inadequado para o seu pé e para o seu volume de treino;
- Fraqueza de panturrilha, quadril e glúteos, que sobrecarrega a perna a cada apoio;
- Alterações de pisada, como o pé plano com colapso do arco durante a corrida;
- Retorno abrupto após semanas parado, com o corpo ainda destreinado;
- Baixa disponibilidade de energia e vitamina D, que reduz a resistência do osso ao estresse repetido.
Sintomas típicos
- Dor difusa, espalhada por uma faixa de vários centímetros da canela, e não em um ponto único;
- Dor que aparece no início do treino, alivia com o aquecimento e retorna no fim;
- Sensibilidade ao toque ao longo da borda interna do osso;
- Leve inchaço na região, em alguns casos;
- Melhora com o repouso, o que é um sinal tranquilizador.
Quanto tempo dura a canelite
Com redução de carga e correção da causa, a maioria dos casos melhora em 2 a 6 semanas. Quadros mais arrastados, sobretudo em quem já teve o problema antes ou insistiu em treinar com dor, podem levar 2 a 3 meses até o retorno completo à corrida. O ponto que muda esse prazo é a disciplina na progressão: quem volta ao volume anterior de uma só vez costuma reiniciar o ciclo. Se a dor não melhora após três a quatro semanas de cuidados, é hora de investigar outras causas.
Quando pensar em fratura por estresse
Esse é o principal diagnóstico a diferenciar, e ele muda o tratamento. Desconfie e procure avaliação quando a dor:
- Fica muito localizada, em um ponto do osso que você aponta com a ponta do dedo;
- Persiste em repouso ou à noite;
- Aparece cada vez mais cedo no treino, até incomodar ao simplesmente caminhar;
- Vem acompanhada de inchaço localizado ou faz você mancar.
Nessas situações a investigação é necessária. O raio-X digital, feito no mesmo atendimento na CBT Ortopedia, ajuda a avaliar o osso e a afastar outras causas, embora possa estar normal nas primeiras semanas de uma fratura por estresse. Quando a suspeita persiste, a ressonância magnética é o exame mais sensível.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da canelite é essencialmente clínico. A história do treino é a parte mais importante: quanto você corria, o que mudou, quando a dor apareceu e como ela se comporta. O exame físico identifica a área dolorida, testa a força de panturrilha e quadril, avalia a mobilidade do tornozelo e observa a pisada. A imagem entra para excluir fratura por estresse e outras condições, não para confirmar a canelite.
Como é o tratamento
- Reduzir a carga, sem parar tudo: na maioria dos casos é possível manter o condicionamento com bicicleta, natação ou elíptico;
- Gelo por 15 a 20 minutos após o esforço, para o desconforto;
- Fortalecer panturrilha, quadril e core, que é a medida com melhor efeito a longo prazo;
- Revisar o calçado e trocar o tênis desgastado;
- Ajustar o treino: variar piso, reduzir desnível e aumentar volume aos poucos, com semanas mais leves intercaladas;
- Fisioterapia com terapia manual, laser de alta intensidade, ultrassom e exercícios progressivos nos casos que não cedem.
Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser usados por curtos períodos, quando indicados pelo médico. Eles aliviam o sintoma, mas não substituem o ajuste de carga.
Quando procurar o ortopedista
Procure avaliação se a dor na canela não melhora depois de alguns dias de repouso, se piora a cada treino, se está concentrada em um ponto e incomoda mesmo parado, ou se a canelite volta sempre que você retoma a corrida. Um especialista em pé e tornozelo examina a pisada, a musculatura e o seu treino, e ajuda a montar o plano de retorno seguro à corrida. Vale lembrar que outras dores da perna e do pé, como a tendinopatia do Aquiles e as demais lesões comuns do corredor, podem se sobrepor ao quadro.
Perguntas frequentes sobre canelite
Posso continuar correndo com canelite?
Em casos leves, um volume reduzido e indolor pode ser mantido com acompanhamento. Se a dor aparece nos primeiros minutos, altera sua passada ou persiste depois do treino, o correto é reduzir e reavaliar.
Canelite tem cura ou sempre volta?
Tem resolução. O que faz o quadro voltar é manter a causa: progressão rápida, musculatura fraca ou tênis inadequado. Corrigidos esses pontos, a recorrência cai bastante.
Preciso de palmilha para tratar a canelite?
Não como regra. A palmilha é considerada em casos selecionados de alteração de pisada com sintomas, e a decisão vem da avaliação clínica, não do simples desgaste do tênis.
Qual a diferença entre canelite e fratura por estresse?
A canelite dói de forma difusa, ao longo de uma faixa do osso, e melhora com repouso. A fratura por estresse dói em um ponto preciso, costuma incomodar em repouso ou à noite e exige proteção da carga por mais tempo.
Se a dor na canela está atrapalhando os seus treinos, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia, no Campo Belo, para entender a causa e voltar a correr com segurança.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Diante de qualquer sintoma persistente, procure avaliação.