Seu bebê nasceu com o pezinho virado para dentro?
Descobrir que o bebê tem o pé virado, seja no ultrassom do pré-natal, seja na sala de parto, mexe com qualquer família. Vêm o susto, a culpa que não faz sentido e a pergunta central: ele vai andar normalmente? A resposta, na maioria dos casos, é sim. O pé torto congênito tem tratamento bem estabelecido, sem cirurgia grande na maior parte das crianças, com bons resultados quando começa cedo e a família segue todas as etapas.
O que é o pé torto congênito
É uma deformidade presente desde o nascimento, em que o pé fica virado para dentro e para baixo, como se a sola apontasse para o lado oposto ao normal. O nome técnico é pé torto congênito equinovaro. Pode afetar um pé ou os dois, e é uma das alterações ortopédicas mais comuns do recém-nascido.
Vale separar duas situações que confundem os pais. No pé torto verdadeiro, há alteração de ossos, articulações, músculos e tendões, e o pé é rígido: não corrige com manipulação suave. Já as posições viciosas causadas pelo espaço apertado no útero deixam o pé flexível e costumam melhorar sozinhas. Distinguir uma da outra é papel do ortopedista.
Por que acontece
Na maior parte dos casos não se identifica uma causa única. Existe uma tendência familiar: pais ou parentes que tiveram pé torto aumentam a chance de o bebê apresentar a alteração. Meninos são afetados com mais frequência que meninas.
Em situações menos comuns, a deformidade vem associada a outras condições, e por isso o ortopedista examina a criança por inteiro, incluindo quadris e coluna, para não deixar passar quadros como a displasia do desenvolvimento do quadril. E um ponto merece clareza: nada que a mãe fez ou deixou de fazer na gestação causa o pé torto. Muitas famílias carregam uma culpa sem fundamento.
Como o diagnóstico é feito
Em boa parte das gestações, a alteração já é suspeitada no ultrassom do pré-natal, geralmente a partir do segundo trimestre. Isso não é motivo para desespero: saber antes permite que a família se organize e procure o ortopedista nos primeiros dias de vida.
Ao nascer, o diagnóstico é essencialmente clínico. O médico manipula o pezinho para avaliar o quanto ele corrige e o quanto está rígido, classifica a gravidade e planeja o tratamento. Imagem não é necessária no início; quando indicada, a radiografia é feita no próprio atendimento.
Como é o tratamento: o método Ponseti
O tratamento começa cedo, idealmente nas primeiras semanas de vida, quando os tecidos são mais maleáveis. O método mais usado no mundo é o de Ponseti, que trabalha por etapas:
- Manipulação e gesso semanais: a cada consulta o pé é posicionado um pouco mais corrigido e recebe um novo gesso. Costumam ser necessários cinco a sete gessos;
- Correção gradual, sem força excessiva, alongando os tecidos aos poucos;
- Pequeno procedimento no tendão de Aquiles, necessário na maioria dos casos para o pé terminar de subir. É feito de forma percutânea, seguido de um gesso final;
- Fase de órtese: a botinha ligada a uma barra, que mantém a posição conquistada e evita a recidiva.
Cirurgias maiores ficam reservadas a casos rígidos que não respondem ao método ou a recidivas importantes.
Quanto tempo dura o tratamento
Essa é a dúvida que mais aparece na primeira consulta, e a resposta tem duas partes bem diferentes:
- A fase de gessos costuma durar de 5 a 8 semanas, com trocas semanais;
- A órtese em tempo integral é usada por cerca de 3 meses, em torno de 23 horas por dia;
- Depois vem a órtese noturna e nos cochilos, mantida até aproximadamente os 4 a 5 anos de idade;
- O acompanhamento em consultório segue durante o crescimento, com reavaliações periódicas.
Ou seja: a correção é rápida e a manutenção é longa. É essa diferença que precisa ficar clara para a família desde o início.
A fase da órtese decide o resultado
Quando o pé já parece perfeito, é natural pensar que a botinha não é mais necessária. Esse é o momento de maior risco, porque o abandono precoce da órtese é a principal causa de recidiva. Alguns cuidados ajudam:
- Seguir o horário combinado, inclusive nas fases em que a criança resiste;
- Conferir a pele diariamente, atento a vermelhidão persistente, bolhas ou feridas;
- Verificar o ajuste com frequência, já que o pé cresce rápido;
- Avisar a equipe se o pé escapar da botinha ou voltar a torcer;
- Não interromper por conta própria, nem por poucos dias.
O que esperar do resultado
Com tratamento iniciado cedo e órtese bem conduzida, a expectativa é de um pé funcional e sem dor. A grande maioria dessas crianças anda, corre, joga bola e pratica esportes como qualquer outra. Podem permanecer diferenças discretas: o pé tratado às vezes é um pouco menor e a panturrilha mais fina que a do lado oposto, achados que raramente limitam.
Em algumas crianças, a fisioterapia entra como apoio para ganho de força e ajuste da marcha. Mais tarde, outras queixas podem surgir com origem distinta, como o pé plano ou as dores do crescimento.
Quando procurar o ortopedista
Procure um especialista em pé e tornozelo o quanto antes, de preferência nas primeiras semanas de vida, se:
- O bebê nasceu com o pé virado para dentro e para baixo;
- A alteração foi vista no ultrassom do pré-natal;
- Durante o tratamento, o pé volta a torcer ou a botinha aperta e fere a pele;
- Há dificuldade em manter o uso da órtese pelo tempo orientado.
O Dr. Arnaldo Vilela dos Santos acompanha casos de pé e tornozelo, incluindo ortopedia infantil, na clínica.
Perguntas frequentes sobre pé torto congênito
Meu filho vai andar e correr normalmente?
Na maioria dos casos tratados desde as primeiras semanas, sim. O objetivo é um pé com boa mobilidade, apoio adequado e sem dor, compatível com brincadeiras e esporte. O resultado depende muito da adesão à fase da órtese.
O gesso incomoda o bebê?
A troca é feita com manipulação suave e a maioria dos bebês tolera bem. Choro persistente, dedos frios ou arroxeados, cheiro ruim ou gesso solto exigem contato imediato com a equipe.
Pode começar depois dos primeiros meses?
Pode, e ainda assim traz benefício. Mas quanto mais tarde se inicia, maior a rigidez dos tecidos e maior a chance de precisar de procedimentos mais elaborados.
O pé torto pode voltar depois de corrigido?
Pode, especialmente quando a órtese é abandonada antes do tempo. Recidivas identificadas cedo em geral são tratadas com novos gessos e ajustes, sem necessidade de cirurgia grande.
Se o seu bebê nasceu com essa alteração ou ela foi notada no pré-natal, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia, no Campo Belo. Consulta, raio-X digital e reabilitação ficam no mesmo endereço, o que facilita o acompanhamento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. O tratamento do pé torto congênito depende de avaliação individual.