A distensão muscular acontece quando as fibras de um músculo são alongadas além do que suportam ou chegam a se romper parcialmente, geralmente durante um esforço intenso, um movimento brusco ou uma sobrecarga repentina. É uma das lesões mais comuns entre praticantes de atividade física, mas também pode acontecer em situações do dia a dia, como ao carregar peso de forma inadequada ou fazer um movimento errado ao levantar de uma cadeira. As regiões mais afetadas são coxa, panturrilha, costas, virilha e, com menos frequência, os braços.
O sintoma mais característico é a dor que surge de forma súbita, durante ou logo após o esforço, muitas vezes descrita como uma sensação de "fisgada" ou até de "rasgo" no músculo quando a lesão é mais grave. Junto da dor podem aparecer sensibilidade ao toque, inchaço, dificuldade para movimentar a região, fraqueza muscular e espasmos involuntários. Em alguns casos, pequenos vasos sanguíneos dentro do músculo se rompem, o que causa manchas roxas (hematomas) que aparecem horas ou dias depois da lesão.
Cada região do corpo tende a apresentar um padrão de sintomas ligado ao tipo de movimento que causou a lesão. Na coxa, especialmente na parte posterior, a distensão costuma surgir em corridas, saltos ou arrancadas rápidas, trazendo dor súbita e dificuldade para caminhar. Na panturrilha, o quadro aparece após movimentos de impulso, com dor aguda na parte de trás da perna e dificuldade para apoiar o pé no chão. Nas costas, principalmente na região lombar, a causa mais comum é o levantamento de peso de forma inadequada ou giros bruscos do tronco, resultando em rigidez e espasmos. Já na virilha, a lesão está associada a chutes, mudanças rápidas de direção e aberturas bruscas das pernas, comuns em esportes como futebol. No braço, bíceps e tríceps podem ser afetados por exercícios de força além da capacidade do músculo ou movimentos repetitivos.
Existem ainda dois tipos de distensão quanto à forma como surgem: a aguda, provocada por uma contração repentina e intensa do músculo — mais comum em atletas ou em quem levanta peso com má postura —, e a crônica, que se desenvolve gradualmente pelo uso excessivo e repetitivo da musculatura, situação frequente em corredores, jogadores de futebol e ciclistas.
Diante da suspeita de uma distensão, a orientação é interromper a atividade imediatamente, aplicar compressa fria por 15 a 20 minutos várias vezes ao dia (principalmente nas primeiras 48 horas), manter o músculo em repouso e, quando possível, elevar a região afetada para reduzir o inchaço. É importante evitar massagens e alongamentos intensos nesse período inicial, já que movimentos agressivos podem piorar a inflamação e agravar a lesão em vez de ajudar.
O diagnóstico é feito por um ortopedista, que avalia os sintomas, o histórico esportivo ou profissional da pessoa e examina a região lesionada. Para confirmar a extensão do dano e classificar o grau da distensão, o médico pode solicitar exames de imagem como ultrassom, ressonância magnética ou raio X, além de eletromiografia em alguns casos — um exame que avalia a atividade elétrica do músculo.
Entre as principais causas estão o esforço físico acima da capacidade do músculo, movimentos bruscos como saltos e giros, falta de aquecimento antes do exercício, treinos com aumento rápido de carga ou execução incorreta, fadiga muscular acumulada e traumas diretos, como quedas e pancadas. Pessoas idosas e quem realiza movimentos repetitivos no trabalho também têm maior risco de desenvolver o problema.
O tratamento, orientado pelo ortopedista, costuma combinar repouso, compressas frias, medicamentos para alívio da dor e fisioterapia, e o tempo de recuperação varia bastante conforme o grau da lesão — de poucas semanas até alguns meses nos casos mais graves. Se a dor for muito intensa, houver perda de força, dificuldade importante para se movimentar ou hematomas extensos, vale buscar avaliação médica sem demora para garantir o diagnóstico correto e evitar que a lesão se agrave.
Revisão técnica de Dr. Felipe Bertelli Angelini — Ortopedia Geral | Joelho (CRM-SP 130.553).
Matéria produzida pela equipe do Boletim CBT a partir de reportagem de
Tua Saúde.
Conteúdo informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.