Um novo posicionamento científico da American Heart Association (AHA), divulgado em junho de 2026 na revista Circulation, traz uma constatação direta: exercitar-se mais sem reduzir a ingestão de calorias raramente resulta em perda significativa de peso. Isso não quer dizer que o exercício seja inútil — pelo contrário. Mesmo sem o número da balança mudar, a atividade física melhora a pressão arterial, o colesterol e o controle do açúcar no sangue, três fatores centrais na saúde do coração.
O contexto por trás dessa recomendação é preocupante em escala: mais de 40% dos adultos nos Estados Unidos vivem com obesidade, condição fortemente associada a diversos fatores de risco cardiovascular. Por isso, o documento da AHA defende que o exercício funcione como parte de uma estratégia combinada, ao lado de mudanças na alimentação, medicamentos para perda de peso ou cirurgia bariátrica — nunca como solução isolada para quem busca perder peso de forma expressiva.
Um dos pontos mais importantes explicados no posicionamento é o que acontece com o corpo durante uma dieta com restrição calórica: junto com a gordura, a pessoa costuma perder massa muscular. Esse efeito é especialmente relevante para adultos de meia-idade e idosos, que já enfrentam perda muscular natural com o envelhecimento. Incorporar exercícios, principalmente os de fortalecimento (treino de força), ajuda a preservar esse músculo durante o processo de emagrecimento.
A ingestão adequada de proteína entra como aliada nesse mecanismo, contribuindo para manter a massa muscular enquanto a gordura é reduzida. A recomendação prática citada é usar uma calculadora de proteína — como a disponível gratuitamente no site do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) — para estimar a necessidade diária individual. Preservar músculo não é apenas uma questão estética: o tecido muscular tem papel direto no metabolismo, incluindo a forma como o corpo regula a glicose no sangue.
Em termos de quantidade, a AHA recomenda pelo menos 150 minutos semanais de exercício aeróbico de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa, somados a exercícios de fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana. Mas há um detalhe importante para quem já perdeu peso e quer mantê-lo: os níveis de atividade precisam ser ainda maiores, geralmente entre 200 e 300 minutos semanais de exercício moderado, para sustentar os resultados a longo prazo.
Para quem não consegue atingir essas metas mais altas, a mensagem do estudo é encorajadora: manter-se o mais ativo possível ainda traz benefícios, mesmo que parte do peso perdido seja recuperada. Ou seja, não se trata de tudo ou nada — cada sessão de exercício conta para a saúde cardiovascular, independentemente do resultado na balança.
O documento também reforça que a jornada de perda de peso pode (e muitas vezes deve) contar com uma rede de apoio profissional variada: fisioterapeutas, fisiologistas do exercício, nutricionistas, coaches de saúde e conselheiros comportamentais, além de medicamentos ou cirurgia quando indicados. A combinação de abordagens tende a ser mais eficaz do que apostar em uma única estratégia isolada.
Na prática, isso significa que quem se exercita regularmente, mesmo sem perder muitos quilos, está protegendo o coração de maneiras que não aparecem no espelho ou na balança, mas que são mensuráveis em exames de pressão, colesterol e glicemia. Se você está buscando emagrecer ou melhorar sua saúde cardiovascular, vale conversar com um médico ou nutricionista para montar um plano que combine alimentação, atividade física e, se necessário, outros recursos terapêuticos adequados ao seu caso.
Revisão técnica de Dra. Ana Paula Estephanelli — Nutrologia Esportiva (CRM-SP 101.359).
Matéria produzida pela equipe do Boletim CBT a partir de reportagem de
Harvard Health Blog.
Conteúdo informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.