Dói por dentro do cotovelo quando você aperta a mão?
Você cumprimenta alguém com um aperto firme e sente uma fisgada na parte interna do cotovelo. Depois é a garrafa de água, a chave na porta, o pano torcido, a sacola do mercado. No começo é um incômodo tolerável, e por isso muita gente convive semanas com ele antes de procurar ajuda. Esse quadro tem nome: epicondilite medial, conhecida como cotovelo de golfista. E não, você não precisa nunca ter pegado num taco para desenvolvê-la.
O que é a epicondilite medial
Na face interna do cotovelo existe uma saliência óssea chamada epicôndilo medial, que você consegue sentir com o dedo ao dobrar o braço. É ali que se prendem os tendões dos músculos flexores do punho e pronadores do antebraço, aqueles que fecham a mão, dobram o punho para baixo e giram a palma em direção ao chão.
Quando esses tendões recebem carga acima do que suportam por tempo prolongado, o tecido sofre microlesões e cicatriza de forma desorganizada. Apesar do sufixo "ite", que sugere inflamação, hoje o quadro é entendido como uma tendinopatia: mais desgaste e falha de reparo do que inflamação clássica. Isso explica por que gelo e anti-inflamatório aliviam, mas raramente resolvem sozinhos. É bem menos frequente que a sua vizinha do lado de fora, a epicondilite lateral, o cotovelo de tenista, e incomoda tanto quanto.
Por que o tendão adoece
Quase sempre a explicação é repetição, não um trauma único. O tendão tolera um esforço isolado, mas não o mesmo gesto centenas de vezes ao dia, semana após semana. Os padrões mais agressivos são fechar a mão com força e girar o antebraço para baixo.
- Trabalho manual repetitivo: chave de fenda, alicate, parafusadeira, carregar ferramentas;
- Musculação com pegada ou carga inadequadas, sobretudo puxadas e roscas;
- Esportes de arremesso e raquete: golfe, tênis, beisebol, padel;
- Tarefas domésticas prolongadas: torcer panos, cortar alimentos, carregar peso sempre do mesmo lado;
- Retomada brusca de treino ou trabalho após meses parado;
- Fatores individuais: faixa dos 40 aos 60 anos, diabetes e tabagismo reduzem a capacidade de reparo do tendão.
Sintomas típicos
- Dor na face interna do cotovelo, tão localizada que você aponta com a ponta do dedo;
- Piora ao apertar, agarrar e torcer: aperto de mão, maçaneta, chave, volante;
- Dor que às vezes desce pelo antebraço em direção ao punho;
- Perda de força de preensão — a xícara escapa, a sacola pesa mais que antes;
- Em parte dos casos, formigamento no dedo mínimo e no anelar, sinal de que o nervo ulnar, que passa logo atrás, também está irritado — a síndrome do túnel cubital.
Quanto tempo dura
É a pergunta mais frequente no consultório, e a resposta honesta é: mais do que a maioria gostaria. Com ajuste de carga e fisioterapia bem conduzida, boa parte dos pacientes percebe melhora clara entre 6 e 12 semanas. Quadros mais arrastados, sobretudo quando a dor já existia havia muitos meses antes do tratamento começar, podem levar de 6 meses a um ano para resolver por completo.
Dois fatores encurtam esse prazo: começar cedo e não abandonar o fortalecimento na primeira semana boa. Parar aí é a principal causa de recaída.
O que fazer (e o que evitar)
Nas primeiras semanas, ajuda muito:
- Ajustar a carga sem parar tudo: identifique o gesto que dispara a dor e reduza peso, volume ou frequência dele;
- Gelo depois da atividade, 15 a 20 minutos, nos dias mais sintomáticos;
- Revisar a ergonomia: cabos mais grossos nas ferramentas, alternar as mãos, apoiar o antebraço no computador.
E atrapalha bastante:
- Insistir no movimento que dói para "acostumar" o tendão;
- Imobilizar por semanas, o que gera rigidez e mais fraqueza;
- Usar anti-inflamatório continuamente só para trabalhar sem dor, escondendo o sinal que deveria orientar o ajuste da carga.
Como é feito o diagnóstico
Na maioria dos casos a consulta resolve. O ortopedista ouve a história das suas atividades, palpa o epicôndilo medial e faz testes que reproduzem a dor, como fletir o punho contra resistência. O exame precisa avaliar também o nervo ulnar e o ligamento do lado interno, porque ambos podem imitar ou acompanhar o quadro. O raio-X digital afasta artrose, calcificações e sequelas de fraturas antigas; na CBT ele é feito no mesmo local da consulta. Ultrassom, ressonância e eletroneuromiografia ficam para casos duvidosos.
Tratamento: do conservador ao cirúrgico
A grande maioria melhora sem cirurgia.
- Exercício terapêutico é o pilar: o fortalecimento progressivo dos flexores e pronadores torna o tendão mais tolerante à carga;
- Fisioterapia: terapia manual, laser de alta intensidade, eletroterapia e crioterapia controlam a dor e permitem avançar nos exercícios;
- Órtese: a faixa usada no antebraço, logo abaixo do cotovelo, reduz a tração sobre a origem do tendão durante as atividades;
- Medicação: analgésicos e anti-inflamatórios por períodos curtos, quando indicados pelo médico;
- Infiltração: considerada na dor refratária, com critério e em número limitado. Alivia no curto prazo, mas não substitui a reabilitação;
- Cirurgia: reservada aos poucos casos ainda incapacitantes após 6 a 12 meses de tratamento conservador bem feito, sempre seguida de reabilitação orientada.
Quando procurar o ortopedista
Vale agendar avaliação com um especialista em ombro e cotovelo se a dor passa de três a quatro semanas, atrapalha o trabalho ou o sono, ou volta sempre que você usa o braço. Alguns sinais pedem prioridade: formigamento persistente, perda de força na mão, inchaço com vermelhidão e febre, ou dor forte logo após um trauma.
Perguntas frequentes
Preciso parar de trabalhar ou de treinar?
Na maioria dos casos, não. O padrão atual é o repouso relativo: reduzir por um período o gesto que dispara a dor, mantendo o restante da atividade. Parar tudo deixa o tendão mais fraco e a dor tende a voltar na retomada.
Cotovelo de golfista e cotovelo de tenista são a mesma coisa?
São problemas parecidos em lados opostos. O de golfista dói por dentro, nos tendões que fecham o punho; o de tenista dói por fora, nos que o estendem. Outras condições também causam dor no cotovelo e precisam ser diferenciadas no exame.
A faixa de cotovelo resolve o problema?
Ela pode reduzir a dor durante as atividades, como apoio temporário, mas não trata a causa. Sozinha, sem fortalecimento, apenas adia o problema.
Por que a dor sempre volta?
Recaída costuma significar que o gesto sobrecarregante continuou igual ou que o fortalecimento parou cedo. Rever técnica, ergonomia e progressão dos exercícios quebra esse ciclo.
Se a dor na parte interna do cotovelo já dura semanas e limita o seu dia, uma avaliação presencial esclarece a origem do problema e define o plano adequado ao seu caso. Na CBT Ortopedia e Traumatologia, consulta, raio-X digital e fisioterapia funcionam de forma integrada no mesmo endereço.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. O diagnóstico e o tratamento da epicondilite medial dependem de avaliação individual.