Dor no fundo do ombro que você não consegue apontar com o dedo?
É uma queixa curiosa: a pessoa sabe que o ombro dói, mas não consegue mostrar exatamente onde. A dor parece vir de dentro da articulação, aparece ao levar o braço para cima e para trás e às vezes vem com estalos ou com a impressão de que o ombro "não responde" no arremesso. Quando esse padrão surge em quem joga vôlei, tênis ou handebol, uma das causas a investigar é a lesão do labrum superior, conhecida como lesão SLAP.
O que é a lesão SLAP
Dentro do ombro existe um anel de cartilagem fibrosa chamado labrum (ou lábio da glenoide), fixado na borda da cavidade onde a cabeça do úmero se encaixa. Ele funciona como uma borracha de vedação: aprofunda uma articulação naturalmente rasa e ajuda a manter o ombro estável.
A lesão SLAP acontece na parte de cima desse anel, exatamente onde o tendão da cabeça longa do bíceps se ancora — por isso ela costuma envolver ao mesmo tempo o labrum e a inserção do bíceps. A sigla, em inglês, descreve uma lesão da borda superior que se estende de frente para trás. Existem vários tipos, classificados conforme a extensão, e essa diferença pesa na escolha do tratamento.
Por que o labrum se solta
- Esporte com o braço acima da cabeça: o ciclo de aceleração e freada do arremesso, repetido por anos, sobrecarrega a âncora do bíceps — típico de vôlei, handebol, tênis e beisebol;
- Trauma agudo: queda com a mão espalmada no chão, tranco ao segurar um peso que escapa ou puxão com o braço esticado;
- Luxação do ombro: quando a cabeça do úmero sai do lugar, o labrum é frequentemente lesado no processo, como se explica no artigo sobre luxação e instabilidade do ombro;
- Desgaste com a idade: a partir da meia-idade, alterações do labrum superior são achados frequentes em exames e nem sempre explicam a dor;
- Trabalho repetido acima da linha do ombro, como pintura e montagem.
Sintomas típicos
- Dor profunda, dentro do ombro, difícil de localizar com precisão;
- Piora ao levar o braço para cima e para trás — sacar no tênis, arremessar, pegar algo no banco de trás do carro;
- Estalos, cliques ou travamento durante o movimento;
- Perda de força e de precisão no arremesso, com a impressão de que o braço falha;
- Sensação de insegurança em certas posições, como se o ombro pudesse sair do lugar;
- Dor ao dormir sobre o lado afetado.
Quanto tempo dura a recuperação
O prazo depende do caminho escolhido e do tipo de lesão. No tratamento sem cirurgia, a dor reduz nas primeiras semanas, e o programa completo de fortalecimento leva em média 3 a 4 meses — atletas de arremesso precisam de mais tempo para recuperar o gesto esportivo com confiança.
Quando a cirurgia por artroscopia é indicada, o roteiro habitual inclui algumas semanas com o braço em tipoia, recuperação do movimento nos primeiros 2 a 3 meses, ganho de força a partir daí e retorno a esportes acima da cabeça em torno de 4 a 6 meses. Arremessadores de alto rendimento podem levar de 9 a 12 meses para voltar ao nível anterior. São faixas médias: idade, tipo de lesão e disciplina na reabilitação mudam o resultado.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação começa pela conversa detalhada — que esporte você pratica, como a dor começou, em quais movimentos ela aparece — e pelo exame físico, com testes que tensionam o labrum e a âncora do bíceps. Nenhum teste isolado fecha o diagnóstico, mas a combinação orienta bem.
O raio-X digital não mostra o labrum, mas é importante para descartar fraturas, artrose e outras alterações ósseas. Na CBT Ortopedia, ele é feito no mesmo endereço da consulta, o que agiliza a definição da conduta. O exame que melhor avalia o labrum é a ressonância magnética, às vezes com contraste dentro da articulação. Um cuidado essencial: a imagem precisa ser interpretada junto com o exame clínico, porque alterações do labrum superior aparecem em pessoas sem dor — tratar uma imagem, e não um paciente, é erro comum nessa região.
Tratamento sem cirurgia
Na maior parte dos casos o tratamento começa de forma conservadora:
- Ajuste da carga: pausar os gestos que provocam dor, mantendo o resto do treino;
- Fisioterapia dirigida: ganho de rotação interna, fortalecimento do manguito rotador e estabilização da escápula;
- Correção de técnica no arremesso e no saque, que reduz bastante a tração sobre o labrum;
- Analgésicos e anti-inflamatórios por curtos períodos, quando indicados pelo médico;
- Retorno aos gestos esportivos só quando força e controle estiverem restabelecidos, seguindo os princípios de uma volta segura ao esporte.
Quando a cirurgia entra em discussão
A cirurgia é considerada quando os sintomas persistem apesar de reabilitação bem conduzida, em lesões extensas com instabilidade associada, ou em pessoas jovens e atletas que exigem muito do ombro. É feita por artroscopia, com pequenas incisões e uma câmera dentro da articulação, e a técnica varia conforme o tipo de lesão: reparo do labrum com âncoras, regularização da borda ou procedimentos sobre o tendão do bíceps em casos selecionados. A decisão é sempre individual — não existe conduta única para todos os SLAP.
Quando procurar o especialista
Agende uma avaliação se a dor no ombro passa de três a quatro semanas, se há estalos com dor, perda de força, sensação de instabilidade ou se você não consegue mais executar os movimentos do seu esporte. Procure atendimento com prioridade se o ombro saiu do lugar, se houve trauma importante ou se surgiu formigamento no braço. Um especialista em ombro e cotovelo esclarece a causa e monta o plano adequado; na CBT Ortopedia, consulta, exame de imagem e fisioterapia funcionam de forma integrada no mesmo endereço, no Campo Belo.
Perguntas frequentes sobre a lesão SLAP
Lesão do labrum cicatriza sozinha?
O labrum tem pouca circulação sanguínea, então a cicatrização espontânea é limitada. Mesmo assim, muita gente fica sem dor e volta às atividades sem operar: um ombro forte e bem estabilizado compensa a lesão.
Como diferenciar de tendinite do ombro?
A tendinite costuma doer na lateral e piorar ao levantar o braço de lado; a lesão SLAP dói mais fundo, nas posições de rotação com o braço para trás, e frequentemente vem com estalos. Só o exame clínico, somado à imagem, separa os dois quadros — e eles podem coexistir.
Preciso parar o esporte durante o tratamento?
Parada total raramente é necessária. O habitual é suspender o gesto que dói, manter condicionamento e reintroduzir o movimento esportivo de forma progressiva.
A cirurgia de labrum dói muito?
A artroscopia é feita por pequenas incisões e o desconforto dos primeiros dias é controlado com medicação. O que exige paciência é a fase seguinte: respeitar o tempo do reparo antes de forçar o braço, seguindo as etapas da reabilitação pós-cirúrgica.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. Diante de qualquer sintoma persistente, procure avaliação profissional.