Ombro

Lesão do Labrum do Ombro (SLAP): Causas e Tratamento

Lesão do Labrum do Ombro (SLAP): Causas e Tratamento

Dor no fundo do ombro que você não consegue apontar com o dedo?

É uma queixa curiosa: a pessoa sabe que o ombro dói, mas não consegue mostrar exatamente onde. A dor parece vir de dentro da articulação, aparece ao levar o braço para cima e para trás e às vezes vem com estalos ou com a impressão de que o ombro "não responde" no arremesso. Quando esse padrão surge em quem joga vôlei, tênis ou handebol, uma das causas a investigar é a lesão do labrum superior, conhecida como lesão SLAP.

O que é a lesão SLAP

Dentro do ombro existe um anel de cartilagem fibrosa chamado labrum (ou lábio da glenoide), fixado na borda da cavidade onde a cabeça do úmero se encaixa. Ele funciona como uma borracha de vedação: aprofunda uma articulação naturalmente rasa e ajuda a manter o ombro estável.

A lesão SLAP acontece na parte de cima desse anel, exatamente onde o tendão da cabeça longa do bíceps se ancora — por isso ela costuma envolver ao mesmo tempo o labrum e a inserção do bíceps. A sigla, em inglês, descreve uma lesão da borda superior que se estende de frente para trás. Existem vários tipos, classificados conforme a extensão, e essa diferença pesa na escolha do tratamento.

Por que o labrum se solta

Sintomas típicos

Quanto tempo dura a recuperação

O prazo depende do caminho escolhido e do tipo de lesão. No tratamento sem cirurgia, a dor reduz nas primeiras semanas, e o programa completo de fortalecimento leva em média 3 a 4 meses — atletas de arremesso precisam de mais tempo para recuperar o gesto esportivo com confiança.

Quando a cirurgia por artroscopia é indicada, o roteiro habitual inclui algumas semanas com o braço em tipoia, recuperação do movimento nos primeiros 2 a 3 meses, ganho de força a partir daí e retorno a esportes acima da cabeça em torno de 4 a 6 meses. Arremessadores de alto rendimento podem levar de 9 a 12 meses para voltar ao nível anterior. São faixas médias: idade, tipo de lesão e disciplina na reabilitação mudam o resultado.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação começa pela conversa detalhada — que esporte você pratica, como a dor começou, em quais movimentos ela aparece — e pelo exame físico, com testes que tensionam o labrum e a âncora do bíceps. Nenhum teste isolado fecha o diagnóstico, mas a combinação orienta bem.

O raio-X digital não mostra o labrum, mas é importante para descartar fraturas, artrose e outras alterações ósseas. Na CBT Ortopedia, ele é feito no mesmo endereço da consulta, o que agiliza a definição da conduta. O exame que melhor avalia o labrum é a ressonância magnética, às vezes com contraste dentro da articulação. Um cuidado essencial: a imagem precisa ser interpretada junto com o exame clínico, porque alterações do labrum superior aparecem em pessoas sem dor — tratar uma imagem, e não um paciente, é erro comum nessa região.

Tratamento sem cirurgia

Na maior parte dos casos o tratamento começa de forma conservadora:

Quando a cirurgia entra em discussão

A cirurgia é considerada quando os sintomas persistem apesar de reabilitação bem conduzida, em lesões extensas com instabilidade associada, ou em pessoas jovens e atletas que exigem muito do ombro. É feita por artroscopia, com pequenas incisões e uma câmera dentro da articulação, e a técnica varia conforme o tipo de lesão: reparo do labrum com âncoras, regularização da borda ou procedimentos sobre o tendão do bíceps em casos selecionados. A decisão é sempre individual — não existe conduta única para todos os SLAP.

Quando procurar o especialista

Agende uma avaliação se a dor no ombro passa de três a quatro semanas, se há estalos com dor, perda de força, sensação de instabilidade ou se você não consegue mais executar os movimentos do seu esporte. Procure atendimento com prioridade se o ombro saiu do lugar, se houve trauma importante ou se surgiu formigamento no braço. Um especialista em ombro e cotovelo esclarece a causa e monta o plano adequado; na CBT Ortopedia, consulta, exame de imagem e fisioterapia funcionam de forma integrada no mesmo endereço, no Campo Belo.

Perguntas frequentes sobre a lesão SLAP

Lesão do labrum cicatriza sozinha?

O labrum tem pouca circulação sanguínea, então a cicatrização espontânea é limitada. Mesmo assim, muita gente fica sem dor e volta às atividades sem operar: um ombro forte e bem estabilizado compensa a lesão.

Como diferenciar de tendinite do ombro?

A tendinite costuma doer na lateral e piorar ao levantar o braço de lado; a lesão SLAP dói mais fundo, nas posições de rotação com o braço para trás, e frequentemente vem com estalos. Só o exame clínico, somado à imagem, separa os dois quadros — e eles podem coexistir.

Preciso parar o esporte durante o tratamento?

Parada total raramente é necessária. O habitual é suspender o gesto que dói, manter condicionamento e reintroduzir o movimento esportivo de forma progressiva.

A cirurgia de labrum dói muito?

A artroscopia é feita por pequenas incisões e o desconforto dos primeiros dias é controlado com medicação. O que exige paciência é a fase seguinte: respeitar o tempo do reparo antes de forçar o braço, seguindo as etapas da reabilitação pós-cirúrgica.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. Diante de qualquer sintoma persistente, procure avaliação profissional.