O que é a lesão SLAP
Dentro do ombro existe um anel de cartilagem chamado labrum, que se prende na borda da cavidade onde a cabeça do úmero se encaixa. Ele funciona como uma borracha de vedação que aprofunda essa articulação e ajuda a manter o ombro estável. A lesão SLAP acontece na parte de cima desse anel, justamente no ponto onde o tendão do bíceps se ancora. Por isso ela costuma envolver, ao mesmo tempo, o labrum e a inserção do bíceps. A sigla descreve uma lesão de frente para trás na borda superior, e existem diferentes tipos conforme a extensão.
Por que isso acontece
Há dois caminhos principais. Um é o esforço repetido com o braço acima da cabeça, comum em quem joga vôlei, tênis, handebol ou faz arremessos no beisebol. O movimento de aceleração e freada do braço, repetido por anos, vai sobrecarregando a ancoragem do bíceps e o labrum de cima. O outro caminho é o trauma: uma queda com a mão espalmada no chão, um tranco ao segurar peso de repente, ou puxar algo pesado com o braço esticado. Em pessoas mais velhas, parte dessa região se desgasta naturalmente com o tempo, e nem todo achado de imagem significa uma lesão que precisa de tratamento.
Como você percebe
O sintoma mais comum é uma dor profunda dentro do ombro, difícil de apontar com o dedo. Muitas pessoas descrevem que a dor piora ao levar o braço para cima e para trás, como ao sacar no tênis ou pegar algo no banco de trás do carro. Estalos, cliques ou uma sensação de travamento durante o movimento também aparecem com frequência. Outra queixa típica é a perda de força, principalmente nos gestos de arremesso, com a impressão de que o ombro "não responde" como antes. Nem sempre há inchaço visível, e o desconforto pode ser intermitente.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação começa pela conversa e pelo exame físico. O ortopedista pergunta sobre o tipo de esporte ou de esforço, como a dor começou e em quais movimentos ela aparece, e faz testes específicos que tensionam o labrum e o bíceps. O raio-X, que pode ser feito aqui mesmo na clínica no mesmo atendimento, não mostra o labrum em si, mas ajuda a descartar fraturas e outros problemas ósseos. O exame que melhor avalia essa lesão é a ressonância magnética, às vezes com contraste dentro da articulação. Ainda assim, a imagem precisa ser lida junto com os seus sintomas, porque alterações na região nem sempre explicam a dor.
Como é o tratamento
Na maior parte dos casos o tratamento começa sem cirurgia. A ideia é acalmar a dor e devolver o equilíbrio do ombro com fisioterapia, com recursos como laser de alta intensidade, terapia manual, eletroterapia, crioterapia e exercícios de fortalecimento da musculatura que estabiliza a escápula e o manguito rotador. Ajustar a carga e a técnica do esporte costuma fazer diferença, assim como dar um tempo aos gestos que provocam dor. Quando os sintomas persistem apesar disso, ou em lesões mais extensas em pessoas jovens e atletas, pode ser indicada a cirurgia por artroscopia, feita por pequenas incisões, para reparar ou ajustar a região afetada. Essa decisão é sempre individual e depende do seu caso, da sua idade e do que você precisa fazer no dia a dia.
Quando procurar o ortopedista
Vale marcar uma avaliação se a dor no ombro persiste por mais de algumas semanas, se há estalos com dor, perda de força ou sensação de instabilidade, ou se você não consegue mais fazer os movimentos do seu esporte sem desconforto. Quanto antes a causa for esclarecida, mais simples tende a ser o cuidado.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. Cada ombro é diferente, e só uma avaliação individual pode definir o diagnóstico e o melhor tratamento para o seu caso. Se você tem sintomas como esses, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia.