Dói atrás do tornozelo nos primeiros passos do dia?
Você levanta da cama, dá os primeiros passos e sente uma rigidez dolorida logo acima do calcanhar. Depois de alguns minutos andando a região parece aquecer e o incômodo diminui, mas ele volta no fim do dia ou depois do treino. Se o tendão está mais grosso e sensível do que o do outro lado, provavelmente você está lidando com uma tendinopatia do tendão de Aquiles, popularmente chamada de tendinite.
O que é a tendinite de Aquiles
O tendão de Aquiles é aquela faixa grossa atrás do tornozelo que liga a panturrilha ao osso do calcanhar. Ele trabalha a cada passo e em todo movimento de ficar na ponta dos pés, suportando cargas várias vezes maiores que o peso do corpo.
Quando recebe mais carga do que tolera, o tendão sofre microlesões de repetição e o reparo não acompanha o ritmo da agressão. O resultado é dor, rigidez, espessamento e queda de desempenho. Apesar do nome popular, o quadro é menos uma inflamação clássica e mais uma degeneração por sobrecarga, o que explica por que o tratamento se apoia em exercício, e não em anti-inflamatório.
Dois tipos, dois comportamentos
- Da porção média: a dor fica 2 a 6 cm acima do calcanhar. É a forma mais comum e a que responde melhor ao exercício;
- Insercional: a dor se concentra onde o tendão se fixa ao osso. Costuma ser mais teimosa e incomoda com sapatos de traseira rígida.
Por que o tendão passa a doer
- Aumento súbito de carga — subir quilometragem, velocidade ou frequência de treino de uma semana para a outra;
- Retorno acelerado após um período parado, sem fase de readaptação;
- Panturrilha encurtada ou fraca, que transfere trabalho para o tendão;
- Mudança de calçado ou de terreno, sobretudo subidas e superfícies duras;
- Fatores individuais como idade, sobrepeso, diabetes e alterações do apoio do pé;
- Antibióticos da classe das quinolonas, associados a maior risco de problemas em tendões.
Corredores concentram boa parte dos casos, e a lesão aparece ao lado de outros quadros de sobrecarga, como a canelite e as demais lesões comuns em quem corre.
Sintomas típicos
- Dor e rigidez matinais que melhoram após alguns minutos de caminhada;
- Dor que retorna depois do esforço ou no fim do dia;
- Espessamento palpável e sensibilidade ao apertar o tendão;
- Desconforto ao subir escadas, correr e ficar na ponta dos pés;
- Nas formas insercionais, atrito doloroso com a traseira do sapato.
Quanto tempo dura a recuperação
Essa é a pergunta que mais aparece na consulta, e a resposta pede honestidade: o tendão responde devagar. Com ajuste de carga e um programa de exercícios bem conduzido, a melhora costuma ser perceptível em 4 a 6 semanas, com recuperação funcional na faixa de 3 a 6 meses na maior parte dos casos. Quadros crônicos e as formas insercionais podem exigir mais tempo.
Dois erros alongam o tratamento: interromper os exercícios assim que a dor diminui e voltar ao ritmo antigo de treino de uma só vez. A regra prática é progredir a carga aos poucos, tolerando um desconforto leve que desapareça em até 24 horas.
O que fazer e o que evitar
- Ajuste a carga em vez de parar tudo: reduza volume, velocidade e subidas, mantendo o condicionamento sem impacto;
- Comece o fortalecimento: elevação e descida do calcanhar, de forma lenta e progressiva, é o principal recurso terapêutico;
- Alongue a panturrilha e use gelo por 15 a 20 minutos após a atividade, se ajudar na dor;
- Considere elevar discretamente o calcanhar no sapato na fase mais dolorida, o que reduz a tensão no tendão;
- Evite repouso absoluto prolongado, porque o tendão precisa de carga controlada para se reorganizar;
- Não faça infiltração de corticoide dentro do tendão, conduta evitada por enfraquecer o tecido: vale entender quando a infiltração é indicada.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico. O ortopedista ouve a história de treino e de sintomas, palpa o tendão em toda a sua extensão, mede a flexibilidade e a força da panturrilha e testa a integridade do tendão, o que costuma bastar para definir a forma do quadro.
Quando há dúvida ou o quadro não evolui como esperado, a ultrassonografia e a ressonância avaliam a estrutura do tendão. O raio-X mostra calcificações e alterações do osso do calcanhar e, na CBT Ortopedia, é feito no mesmo endereço da consulta.
Tratamento: o exercício é o remédio principal
A grande maioria dos casos melhora sem cirurgia. O tratamento se organiza assim:
- Fisioterapia com progressão de carga no fortalecimento da panturrilha, terapia manual e recursos analgésicos;
- Correção dos fatores de sobrecarga, como encurtamentos e alterações do apoio do pé;
- Palmilhas e adequação do calçado, além de analgésicos por curtos períodos com orientação médica;
- Terapia por ondas de choque em quadros que não respondem depois de alguns meses;
- Cirurgia em situações selecionadas, como tendões muito degenerados e as rupturas.
Quando procurar o especialista
Vale agendar uma avaliação se a dor passa de duas a três semanas, se retorna sempre que você tenta retomar o exercício, se o tendão está visivelmente mais grosso ou se correr e subir escadas deixaram de ser naturais. Um especialista em pé e tornozelo confirma o diagnóstico, exclui outras causas de dor no calcanhar e monta o plano de retorno seguro ao esporte.
Procure atendimento no mesmo dia diante de dor súbita e intensa atrás do tornozelo, muitas vezes com estalo audível e impossibilidade de ficar na ponta do pé: esse conjunto sugere ruptura do tendão.
Perguntas frequentes sobre tendinite de Aquiles
Preciso parar de correr?
Na maioria dos casos não é necessário parar por completo. O caminho costuma ser reduzir volume, velocidade e subidas, manter o condicionamento em atividades de baixo impacto e progredir a carga conforme a resposta do tendão.
Gelo ou calor?
O gelo tende a ajudar mais no controle da dor logo após a atividade. O calor pode ser confortável antes do alongamento em quadros crônicos, com muita rigidez matinal. Nenhum dos dois substitui o fortalecimento, que é o que recupera o tendão.
Tendinite de Aquiles tem cura?
A maior parte das pessoas volta às suas atividades sem dor. O tendão, porém, guarda memória da sobrecarga: manter o fortalecimento da panturrilha e progredir treinos com cautela é o que reduz a chance de recaída.
Dor no calcanhar é sempre tendão?
Não. Dor na sola do calcanhar, sobretudo nos primeiros passos da manhã, costuma ter outra origem, a fascite plantar. A dor da tendinopatia de Aquiles fica atrás do tornozelo, e o exame clínico separa os dois quadros.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. Se você sente dor atrás do tornozelo ou no calcanhar, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia.