O que é o labrum do quadril
O quadril funciona como uma bola dentro de uma cavidade. A cabeça do fêmur, que tem formato arredondado, se encaixa numa concha do osso da bacia. Em volta da borda dessa concha existe um anel de cartilagem chamado labrum. Ele se comporta como uma borracha de vedação, que aprofunda um pouco o encaixe, ajuda a segurar a cabeça do fêmur no lugar e mantém o líquido que lubrifica a articulação onde precisa estar. Quando esse anel rasga ou descola, falamos em lesão do labrum.
Por que acontece
Boa parte das lesões do labrum anda junto com um problema de formato dos ossos, conhecido como conflito femoroacetabular. Nesse quadro, há uma sobra de osso na cabeça do fêmur ou na borda da cavidade, ou nos dois. A cada vez que você dobra o quadril, por exemplo ao agachar ou sentar bem fundo, esse osso a mais bate ou pinça o labrum. Com o tempo, o atrito repetido vai machucando o anel de cartilagem. Esportes que exigem muita flexão e rotação do quadril, como futebol, artes marciais e dança, ajudam a sobrecarregar a região. Uma torção forte ou uma queda também podem rasgar o labrum de uma vez. E vale lembrar que algumas alterações aparecem em exames de pessoas sem nenhuma dor, ou seja, nem todo achado de imagem precisa de tratamento.
Como você percebe
A queixa mais comum é dor na virilha, do lado de dentro da raiz da coxa. Muita gente, ao tentar mostrar onde dói, faz um C com a mão em volta do quadril. Estalos, cliques ou uma sensação de que o quadril "trava" ou "engata" durante certos movimentos também são frequentes. A dor costuma piorar ao ficar muito tempo sentado, ao cruzar a perna, ao sair do carro ou ao subir num banco alto. Atividades que dobram bastante o quadril, como agachar ou amarrar o sapato, podem incomodar. O desconforto pode ser intermitente, aparecer em alguns gestos e sumir em outros.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação começa pela conversa e pelo exame físico. O ortopedista pergunta sobre o tipo de esporte ou esforço, como a dor começou e quais movimentos a provocam, e faz manobras que dobram e giram o quadril para reproduzir o sintoma. O raio-X, que pode ser feito aqui mesmo na clínica no mesmo atendimento, não mostra o labrum em si, mas ajuda a ver o formato dos ossos e os sinais de conflito femoroacetabular. O exame que melhor avalia o labrum é a ressonância magnética, às vezes com contraste dentro da articulação. Ainda assim, a imagem precisa ser lida junto com os seus sintomas, porque alterações na região nem sempre explicam a dor.
Como se trata
Na maioria dos casos o tratamento começa sem cirurgia. A ideia é diminuir a dor e melhorar a forma como o quadril se move. A fisioterapia tem papel central, com recursos como laser de alta intensidade, terapia manual, eletroterapia, crioterapia e exercícios de fortalecimento da musculatura do glúteo, do core e dos estabilizadores do quadril. Ajustar as atividades costuma fazer bastante diferença. Isso pode incluir evitar por um tempo o agachamento muito profundo, rever a profundidade do assento e mudar a forma de sentar, evitando cruzar a perna por longos períodos. Quando os sintomas persistem apesar desse cuidado, ou quando há um conflito femoroacetabular importante associado, pode ser indicada a artroscopia do quadril, uma cirurgia feita por pequenas incisões, para reparar o labrum e acertar a sobra de osso. Essa decisão é sempre individual e depende da sua idade, do seu nível de atividade e do que você precisa fazer no dia a dia.
Quando procurar o ortopedista
Vale marcar uma avaliação se a dor na virilha persiste por mais de algumas semanas, se há estalos com dor ou sensação de travamento, ou se você não consegue mais sentar, agachar ou praticar seu esporte sem desconforto. Quanto antes a causa for esclarecida, mais simples tende a ser o cuidado.
Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento da lesão do labrum do quadril dependem de uma avaliação individual. Se você tem sintomas como esses, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia.