Tendinite que não passa há meses?
Tem um tipo de lesão que testa a paciência de qualquer pessoa: aquela dor de tendão que já dura meses, atrapalha segurar uma sacola, levantar o braço ou apoiar o pé de manhã, e resiste a repouso, remédio e fisioterapia. É nesse ponto que muitos pacientes ouvem falar do PRP, o plasma rico em plaquetas, e chegam ao consultório com uma pergunta direta: isso funciona? Vale entender como o método age, em que situações ele tem mais chance de ajudar e quanto tempo leva para mostrar resultado.
O que é o PRP
PRP é a sigla de plasma rico em plaquetas. A lógica é usar o próprio sangue do paciente como matéria-prima: colhe-se uma pequena quantidade, ela é centrifugada para concentrar as plaquetas e esse concentrado é aplicado no local da lesão.
As plaquetas carregam fatores de crescimento, substâncias que o corpo usa naturalmente para reparar tecidos. A proposta é oferecer um estímulo extra de cicatrização onde o organismo está com dificuldade de fechar a conta sozinho. Como o material vem de você, não existe risco de rejeição.
Em que casos costuma ser usado
- Epicondilite lateral, a conhecida dor do cotovelo de tenista, detalhada no artigo sobre epicondilite lateral;
- Tendinopatia do tendão de Aquiles, discutida no conteúdo sobre dor no calcanhar e atrás do tornozelo;
- Tendinopatia do manguito rotador sem ruptura completa, tema do texto sobre lesão do manguito rotador;
- Artrose de joelho em fase inicial, como recurso para controle de sintomas. Veja mais sobre artrose no joelho;
- Fasciopatia plantar crônica resistente ao tratamento conservador.
Em todos esses cenários, o PRP aparece como recurso complementar em casos selecionados, quase sempre associado à reabilitação, e não como substituto dela.
O que a ciência mostra
Os estudos ainda não fecham uma resposta única. Para algumas condições, como a epicondilite lateral e a artrose de joelho no início, há trabalhos com resultados favoráveis. Para outras, a evidência é mais fraca ou contraditória, em parte porque os protocolos variam muito: concentração de plaquetas, número de sessões, presença de leucócitos e técnica de aplicação não são padronizados entre os serviços.
Isso não invalida o método, mas explica por que a indicação precisa ser individual, pesando o seu diagnóstico, o tempo de lesão e o que já foi tentado. Desconfie de promessas exageradas: o PRP não é cura garantida nem serve para qualquer dor.
Como é feita a aplicação
O procedimento acontece em consultório e costuma durar cerca de meia hora. Primeiro vem a coleta de sangue, semelhante a um exame de rotina. Depois a centrifugação, que separa os componentes em poucos minutos. Por fim, o médico aplica o concentrado no ponto exato da lesão, muitas vezes guiado por ultrassom para acertar o alvo, com anestesia local.
Dependendo do caso, o tratamento envolve uma a três sessões, com intervalo de algumas semanas entre elas. Conheça também as demais infiltrações realizadas na clínica, que podem ser alternativas conforme o diagnóstico.
Quanto tempo leva para sentir melhora
Essa é a pergunta mais importante para não criar expectativa errada. O PRP não alivia a dor de imediato. Ao contrário: nos primeiros dias é comum sentir mais dor e algum inchaço, porque o estímulo de cicatrização provoca uma reação inflamatória controlada.
A melhora aparece de forma gradual, em geral entre a quarta e a décima segunda semana, e em algumas tendinopatias o ganho continua a evoluir por até seis meses. Reparo de tendão é biologicamente lento, e nenhum recurso encurta esse tempo de forma mágica. Por isso o acompanhamento e a progressão de carga na fisioterapia pesam tanto no resultado final.
Cuidados depois da aplicação
- Evitar anti-inflamatórios no período orientado pelo médico, porque eles podem reduzir justamente a resposta que se busca com o PRP;
- Repouso relativo por 48 a 72 horas, sem imobilizar por completo;
- Gelo apenas se a dor incomodar muito, e conforme a orientação recebida;
- Retomar a fisioterapia no tempo combinado, com exercícios de carga progressiva no tendão;
- Procurar avaliação se surgirem febre, dor intensa e crescente ou vermelhidão importante no local.
Riscos, limites e custo
Como o material é autólogo, o perfil de segurança é considerado bom. Os efeitos mais comuns são dor e inchaço temporários no local. Há risco pequeno de infecção, motivo pelo qual todo o preparo é feito com técnica estéril. Pessoas com infecção ativa, alterações de coagulação, plaquetopenia ou algumas doenças hematológicas podem não ser candidatas.
Três limites merecem clareza:
- O PRP não reconstrói um tendão rompido por completo nem substitui cirurgia quando ela está indicada;
- Ele não regenera cartilagem já perdida em uma artrose avançada;
- Costuma não ter cobertura pelos planos de saúde, o que vale confirmar antes de decidir.
Em algumas situações, alternativas como a viscossuplementação com ácido hialurônico podem ser mais adequadas.
Quando procurar avaliação
Vale marcar uma consulta quando a dor:
- Já passou de algumas semanas sem melhora com repouso e medicação;
- Atrapalha o sono ou limita tarefas simples do dia a dia;
- Volta sempre que você retoma o esporte ou o trabalho;
- Vem com perda de força ou de movimento na articulação.
Um especialista em ombro e cotovelo examina, revisa as imagens e define se o caso pede ajuste de carga, fisioterapia orientada, PRP ou outra conduta.
Perguntas frequentes sobre PRP
O PRP dói?
A coleta é como um exame de sangue comum. A aplicação é feita com anestesia local e o desconforto maior costuma vir nas 48 horas seguintes, quando a reação de cicatrização se instala. Esse aumento de dor inicial é esperado.
Quantas sessões são necessárias?
Varia conforme o diagnóstico e a resposta. Muitos protocolos usam de uma a três aplicações, espaçadas por algumas semanas. A decisão de repetir depende da reavaliação clínica, não de um número fixo.
PRP substitui a fisioterapia?
Não. O estímulo biológico ajuda o tecido a responder, mas é o exercício progressivo que reorganiza o tendão e devolve função. Nos estudos com melhores resultados, o PRP aparece sempre associado à reabilitação.
Serve para qualquer tipo de dor?
Não. Ele é indicado em condições específicas, com diagnóstico bem definido. Dores de origem articular avançada, compressões nervosas ou problemas da coluna pedem outras abordagens.
Se uma dor de tendão ou articulação já se arrasta há semanas, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia, no Campo Belo. Consulta, raio-X digital, infiltrações e fisioterapia funcionam de forma integrada no mesmo endereço, o que facilita o acompanhamento até a recuperação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. A indicação do PRP depende de avaliação individual.