Ortopedia & Movimento

Como prevenir a dor na canela durante os exercícios

Revisão técnica: Dr. Ricardo Salomão  ·  CRM-SP 34.935

Como prevenir a dor na canela durante os exercícios

Aquela dor incômoda na parte interna da canela que aparece depois de correr, dançar ou voltar aos treinos tem nome: canelite, também chamada de síndrome do estresse tibial medial. Segundo a médica de medicina esportiva Anne Rex, o problema surge quando a carga imposta às pernas é maior do que a capacidade do corpo de se recuperar e se adaptar a ela. Em outras palavras, não é o exercício em si que causa a lesão, mas o descompasso entre o esforço e o tempo de recuperação dos ossos e tecidos conectivos.

Corredores, dançarinos e recrutas militares estão entre os grupos mais afetados, assim como pessoas que estão retomando a atividade física após um tempo parado ou começando a se exercitar agora. Ter pés chatos ou arcos plantares rígidos também aumenta a predisposição. O ponto em comum entre esses casos é o aumento rápido de estímulo sobre uma estrutura óssea que ainda não teve tempo de se fortalecer.

Um dos erros mais comuns é aumentar a distância percorrida, o ritmo ou a intensidade do treino rápido demais. A especialista recomenda a chamada regra dos 10%: aumentar o tempo de exercício, a distância ou a carga levantada em no máximo 10% por semana. Esse intervalo dá tempo para que os ossos se fortaleçam antes de receberem uma carga maior, reduzindo o risco de lesão por sobrecarga.

Os dias de descanso também fazem parte do treino, e não são sinal de preguiça. É durante o repouso que o corpo repara os pequenos desgastes que o exercício naturalmente provoca nos ossos. Pular essa etapa é como cobrar mais rendimento de uma estrutura que ainda está em obras.

O calçado certo faz diferença real: o amortecimento interno do tênis se desgasta progressivamente, mesmo quando ele ainda parece novo por fora. A recomendação geral é substituir tênis de corrida ou caminhada a cada 300 a 500 milhas percorridas (cerca de 480 a 800 km), momento em que a capacidade de absorver impacto começa a cair. Alongamentos também ajudam: os dinâmicos — como avanços caminhando, balanços de perna ou joelhos altos — preparam o corpo antes do treino, enquanto os estáticos, mantidos por 30 a 90 segundos, ajudam a relaxar a musculatura depois.

Fortalecer os músculos dos pés e tornozelos melhora a estabilidade geral e reduz a quantidade de força que chega até a canela durante corridas e outras atividades de impacto. A postura na corrida também importa: dar passadas longas, com o pé pousando muito na frente do corpo, gera mais impacto a cada passo. Manter a passada mais próxima do corpo ajuda a distribuir melhor essa força.

Quando as pernas já estão cansadas ou doloridas, não é preciso parar de se exercitar por completo — trocar temporariamente atividades de alto impacto por natação, bicicleta ergométrica ou elíptico permite manter o condicionamento cardiovascular enquanto a canela se recupera.

O ponto mais importante é não insistir na dor. Continuar treinando com uma canelite inicial pode fazer a inflamação avançar para dentro do osso e evoluir para uma fratura por estresse, transformando alguns dias de repouso em semanas ou até meses parado. Vale buscar avaliação médica se a dor persistir ao caminhar, aparecer mesmo em repouso, estiver concentrada em um ponto específico da canela, ou se houver inchaço, vermelhidão ou calor na região — sinais que podem indicar algo além da canelite comum. Se notar esses sintomas, procure um médico ou fisioterapeuta especializado em medicina esportiva para uma avaliação adequada.

Revisão técnica de Dr. Ricardo Salomão — Ortopedia Geral | Pé e Tornozelo (CRM-SP 34.935).
Matéria produzida pela equipe do Boletim CBT a partir de reportagem de Cleveland Clinic Health Essentials. Conteúdo informativo — não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento médico.