Dói na base do polegar ao girar a chave?
Girar a chave na porta, abrir a tampa de um pote, apertar o borrifador de limpeza, segurar a alça de uma sacola cheia. São gestos automáticos que, de repente, passam a doer num ponto bem específico: a base do polegar, do lado do punho. No começo a dor vem só no esforço e some com o repouso; depois incomoda em tarefas cada vez mais simples, e a mão perde firmeza. Esse padrão tem nome: rizartrose.
O que é a rizartrose
A rizartrose é o desgaste da cartilagem da articulação trapeziometacarpal, formada pelo trapézio (um dos ossinhos do punho) e pelo primeiro metacarpo, o osso que sustenta o polegar. Essa articulação tem formato de sela, o que dá ao polegar uma liberdade de movimento única na mão: ele gira, se opõe aos outros dedos e faz força de pinça.
Essa liberdade tem um preço. A carga que chega à articulação é várias vezes maior do que a força aplicada pela ponta do dedo, e por isso ela é uma das juntas que mais se desgastam na mão. Quando a cartilagem afina, os ossos passam a ter mais atrito, e surgem dor, rigidez e perda de força na pinça.
Por que a cartilagem do polegar se desgasta
- Idade: fica mais frequente a partir dos 50 anos, acompanhando o envelhecimento da cartilagem;
- Sexo feminino: é bem mais comum em mulheres, especialmente após a menopausa;
- Herança familiar: é comum encontrar mãe, tia ou avó com a mesma queixa;
- Uso intenso da pinça: profissões e hobbies com muitos movimentos de pinçar, apertar e torcer;
- Lesões antigas e frouxidão dos ligamentos da região, que antecipam o desgaste.
Cada pessoa combina esses fatores de um jeito próprio, e só a avaliação individual mostra o que pesou mais no seu caso.
Como a rizartrose se manifesta
- Dor na base do polegar, do lado do punho, ao fazer força de pinça;
- Piora ao girar chaves, abrir potes, apertar gatilhos de borrifador ou carregar sacolas pelos dedos;
- Perda de força: objetos escapam da mão e tarefas simples passam a exigir as duas mãos;
- Estalos ou sensação de atrito ao mover o polegar;
- Nas fases avançadas, dor em repouso, à noite, e uma saliência na base do polegar, que pode ficar mais fechado em direção à palma.
Quanto tempo dura a dor da rizartrose
A rizartrose é crônica: a cartilagem já desgastada não se regenera. Isso não significa dor para sempre, e é aqui que muita gente se surpreende. Na prática, ela se manifesta em crises de dias a algumas semanas, intercaladas com períodos de pouco ou nenhum sintoma.
Com órtese, ajuste de atividades e fisioterapia, a maioria percebe melhora clara em 4 a 8 semanas. Quando indicada, a infiltração costuma dar alívio de semanas a alguns meses. Nos casos operados, a recuperação da força de pinça é gradual e leva de 3 a 6 meses. O objetivo não é reverter o desgaste, mas controlar a dor e preservar a função da mão.
O que ajuda no dia a dia (e o que evitar)
- Engrosse os cabos: canetas, talheres e ferramentas com cabo grosso exigem menos força de pinça;
- Use abridores de tampa e chaveiros largos, que transformam a pinça em movimento de mão inteira;
- Calor pela manhã ajuda a soltar a rigidez; gelo alivia a articulação dolorida após o esforço;
- Evite pinça forçada repetida, como torcer panos, usar tesouras pequenas e segurar o celular com firmeza por longos períodos;
- Não use a órtese o dia inteiro por conta própria: imobilização prolongada sem orientação enfraquece a musculatura da mão.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico começa pela conversa sobre quais gestos doem e pelo exame da mão. O ortopedista palpa a articulação e faz manobras de compressão e rotação do polegar, que reproduzem a dor com boa precisão, além de testar a força de pinça e a mobilidade.
O raio-X confirma o quadro: mostra a redução do espaço entre o trapézio e o metacarpo e o grau de desalinhamento. Na CBT Ortopedia, é feito no mesmo endereço da consulta, o que permite fechar o raciocínio no próprio atendimento. Esse passo separa a rizartrose de outras causas de dor no mesmo lado do punho, como a tendinite de De Quervain e a síndrome do túnel do carpo.
Tratamento: da órtese à cirurgia
- Órtese do polegar: apoia a articulação e reduz a sobrecarga nas crises e nas tarefas que doem;
- Fisioterapia e terapia da mão, com recursos para controle da dor e fortalecimento da musculatura que estabiliza o polegar;
- Adaptação de gestos e ferramentas, a medida com melhor relação entre esforço e resultado;
- Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios por períodos curtos, quando indicados pelo médico;
- Infiltração na articulação, opção quando a dor não cede às medidas acima;
- Cirurgia, considerada nos casos avançados com dor persistente e limitação importante; existem várias técnicas, e a escolha depende do estágio e da demanda da sua mão.
Quando procurar o especialista
Marque uma avaliação se a dor na base do polegar volta com frequência, atrapalha tarefas simples, não melhora com repouso ou se você já nota perda de força e mudança no formato da articulação. Um especialista em cirurgia da mão avalia o estágio e monta o plano. O raciocínio dos exercícios para quem tem artrose também vale aqui: mão parada perde força, mão orientada ganha proteção.
Perguntas frequentes sobre rizartrose
Rizartrose tem cura?
O desgaste da cartilagem não se reverte, então não há cura no sentido de devolver a articulação ao estado original. O que se consegue, na maioria dos casos, é controlar a dor e manter a mão funcional por muitos anos.
Fazer força piora a rizartrose?
Pinça forçada e repetida dentro da dor tende a piorar os sintomas. Já o fortalecimento orientado da mão e do antebraço faz parte do tratamento. A diferença está no tipo de carga e na orientação profissional.
Rizartrose é a mesma coisa que artrose nas mãos?
É uma das formas. A artrose nas mãos inclui as juntas dos dedos e a base do polegar; a rizartrose é justamente a da base do polegar, e uma das que mais limitam a força.
Preciso usar a órtese para dormir?
Depende do caso. Algumas pessoas se beneficiam do uso noturno, outras apenas durante as atividades que provocam dor. Quem define modelo e tempo de uso é o médico ou o terapeuta da mão.
Se abrir potes e girar chaves virou um problema, agende uma avaliação na CBT Ortopedia e Traumatologia: consulta, raio-X digital e fisioterapia acontecem de forma integrada no mesmo endereço.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um médico. Diante de qualquer sintoma persistente, procure avaliação profissional.